As Copas que eu vi- Brasil 2014
Chegou o dia de escrever sobre a Copa de 2014 no Brasil.
A Copa em que a seleção brasileira passou a maior vergonha da sua história.
O time era novo e não tinha um jogador como referência. Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Robinho ou Adriano poderiam fazer esse papel, mas já não estavam no auge.
Particularmente eu sempre acredito no título da seleção brasileira, mas nessa Copa, confesso que estava meio descrente até a Copa das Confederações. Depois tive um sentimento de otimismo, mas durante a Copa fui percebendo o quanto a seleção brasileira tinha um time dependente do Neymar e que o Hexa seria muito difícil.
Pós Copa de 2010
Após a eliminação nas quartas de finais da Copa da África do Sul, a CBF não perdeu tempo na escolha do treinador.
Menos de duas semanas depois do fim da Copa, o nome do treinador que iria dirigir a seleção até a Copa do Mundo de 2014 estava escolhido: seria Muricy Ramalho.
Mas Muricy, que tinha sido tri campeão brasileiro pelo São Paulo estava treinando o Fluminense (onde ganharia o Tetra no fim do ano), não aceitou o convite e preferiu continuar no tricolor carioca.
Em seu lugar a CBF optou por Mano Menezes, que treinava o Corinthians na época.
Mano tinha a missão de montar uma seleção competitiva para a Copa de 2014 que seria disputada no Brasil. Mesmo sem precisar jogar as Eliminatórias por ser o país sede, não havia tempo a perder.
Tinha bons jogadores jovens como David Luiz, Marcelo, Sandro, Ramires, Paulo Henrique Ganso, Giuliano, Oscar, Lucas Moura, Alexandre Pato, Leandro Damião, André e Neymar e outros mais experientes como Júlio César, Daniel Alves, Thiago Silva, Paulinho, Hernanes, Hulk e Fred.
Na estreia de Mano, uma boa vitória sobre os Estados Unidos fora de casa, gols dos jovens Neymar e Alexandre Pato. Depois mais duas vitórias sobre o Irã por 3x0 e a Ucrânia por 2x0.
Chegava o primeiro desafio da "nova" seleção brasileira: confronto contra a Argentina pelo Superclássico das Américas: vitória dos hermanos com gol de Messi nos acréscimos.
Em 2011, era a vez da primeira competição internacional. Seria a Copa América, disputada na Argentina. Antes dela, mais alguns amistosos preparatórios.
Em fevereiro, derrota para a França fora de casa por 1x0. Após essa derrota, vitórias sobre Escócia e Romênia por 2x0 e 1x0 respectivamente e empate com a Holanda por 0x0.
Copa América 2011, Argentina
O grupo da seleção brasileira tinha Venezuela, Paraguai e Equador. Um grupo bastante acessível e a seleção deveria garantir o primeiro lugar na chave com certa tranquilidade.
Mas não foi bem isso o que aconteceu: dois empates contra a Venezuela por 0x0 e o Paraguai por 2x2 colocavam em risco a classificação. O jogo contra o Equador, pela última rodada da fase de grupos, era decisivo. A seleção brasileira venceu por 4x2 e estava nas quartas de finais.
O adversário seria novamente o Paraguai. Novo empate, desta vez por 0x0 nos 90 minutos e na prorrogação e a seleção brasileira foi eliminada por 2x0 nos pênaltis. O detalhe é que 4 jogadores erraram os pênaltis: Elano, Thiago Silva, André Santos e Fred desperdiçaram as cobranças. Nenhum acerto na cobrança de pênaltis, algo inédito na história da seleção brasileira.
Em agosto, o compromisso era contra a seleção da Alemanha fora de casa: a derrota por 3x2 não mostrou a superioridade dos germânicos em campo.
Depois vitórias sobre Gana, Costa Rica, México, Gabão e Egito. No Superclássico da América, título do Brasil. Empate em 0x0 na Argentina e vitória por 2x0 no Brasil. O detalhe é que nesses jogos só poderiam atuar jogadores que atuavam no Brasil e atletas cono Bruno Cortez e Borges foram chamados.
Em 2012 o desafio eram as Olimpíadas de Londres. Novamente o treinador da seleção principal iria comandar a seleção olímpica rumo ao único título que faltava.
A geração era talentosa com jogadores como Paulo Henrique Ganso, Oscar, Lucas Moura, Leandro Damião, Alexandre Pato e o jovem Neymar que, aos 20 anos, já era a grande estrela do futebol brasileiro. Com a chance de chamar 3 jogadores acima dos 23 anos, deu para formar uma boa seleção.
Vitórias sobre a Bósnia Herzegovina por 2x1, a Dinamarca por 3x1, os Estados Unidos por 4x1 e derrotas para o México por 2x0 e para a Argentina por 4x3, com um show de Messi, que marcou 3 gols na partida.
Chegava a hora de tentar a medalha de ouro nas Olimpíadas: Mano não abriu mão dos jogadores acima dos 23 anos e convocou Thiago Silva, Marcelo e Hulk para reforçar o elenco. Além deles, foram chamados os goleiros Gabriel e Neto; os laterais Alex Sandro, Danilo e Rafael; os zagueiros Bruno Uvini e Juan; os meio campistas Oscar, Paulo Henrique Ganso, Rômulo e Sandro e os atacantes Alexandre Pato, Leandro Damião, Lucas Moura e Neymar.
Era uma boa seleção, que tinha muitas chances de ganhar a primeira medalha de ouro para o Brasil. E quase conseguiu...
Antes dos jogos, a seleção enfrentou a anfitriã Grã Bretanha e venceu por 2x0.
Olimpíadas de Londres 2012
Na primeira fase, a seleção brasileira derrotou o Egito por 3x2, a Bielorrúsia por 3x1 e a Nova Zelândia por 3x0.
Nas quartas de finais, o adversário era a seleção de Honduras. Vitória difícil por 3x2, com 2 gols de Leandro Damião, artilheiro das Olimpíadas com 6 gols e um de Neymar.
Nas semifinais, outra boa vitória sobre a Coreia do Sul por 3x0, gols do volante Rômulo e outros 2 de Leandro Damião.
Estava tudo se encaminhando para a inédita medalha de ouro no futebol. Mas no meio do caminho, tinha o México.
Na final, os mexicanos se aproveitaram de alguns erros defensivos da seleção brasileira e fizeram 1x0 logo no início da partida. Na segunda etapa marcaram 2x0 e Hulk ainda diminuiu o marcador nos acréscimos, mas não deu tempo para o empate.
Foi uma ótima campanha com 5 vitórias e uma derrota, 16 gols marcados e 7 sofridos. Uma pena a medalha de prata.
No segundo semestre, mais alguns amistosos: vitórias sobre a Suécia por 3x0, a África do Sul por 1x0, uma grande goleada sobre a China por 8x0, e goleadas sobre o Iraque por 6x0 e o Japão por 4x0 e um empate contra a Colômbia por 1x1.
No Superclássico das Américas outro título da seleção brasileira, desta vez nos pênaltis. Vitória por 2x1 sobre os argentinos em casa e derrota para os hermanos na Argentina pelo mesmo placar. O título veio na decisão por pênaltis.
A derrota para a Argentina e o título nos pênaltis foi o último jogo de Mano a frente da seleção brasileira. Seria demitido 2 dias depois.
A demissão ocorreu justamente quando Mano vinha repetindo a formação que, a seu ver era a ideal. Sem um jogador com características de primeiro volante no meio campo, que tinha Paulinho, Ramires, Oscar e Kaká, conforme a tendência das melhores seleções de futebol no mundo como a Espanha que tinha Busquets, Xavi e Iniesta e a Alemanha de Khedira, Schwestzeiger e Kroos.
Em seu lugar, foi chamado Luis Felipe Scolari, treinador do Hexa. Como seu auxiliar, o técnico do Tetra, Carlos Alberto Parreira. Os treinadores do Penta e do Tetra teriam a difícil missão de trazer o Hexa em casa. Não conseguiram.
No primeiro amistoso em Londres contra a Inglaterra, derrota por 2x1, com o gol da vitória do English Team no fim da partida. O treinador do Penta manteve a base do time, apenas optando por Luiz Gustavo no lugar de Ramires e Fred, o melhor jogador, artilheiro e campeão do Campeonato Brasileiro do ano anterior, no lugar de Kaká.
Depois da derrota na estreia de Felipão em Londres, a Seleção Brasileira empatou com a Itália em 2x2 e com a Rússia em 1x1 fora de casa e goleou a Bolívia por 4x0 e empatou novamente, desta vez contra o Chile por 2x2.
Era o momento da Copa das Confederações no Brasil, a primeira competição oficial de Felipão na sua volta a seleção.
Felipão convocou os goleiros Diego Cavalieri, Jefferson e Júlio César; Os laterais Daniel Alves, Filipe Luis, Jean e Marcelo; Dante, David Luiz, Réver e Thiago Silva na zaga, os meio campistas Fernando, Hernanes, Jádson, Luis Gustavo, Oscar e Paulinho e os atacantes Bernard, Fred, Hulk, Jô, Lucas Moura e Neymar.
Antes da competição e durante o torneio, ocorreram uma série de conflitos nas ruas. Os protestos começaram em São Paulo por causa de um aumento de 20 centavos na passagem de ônibus e acabou se espalhando por todo o pais país, como uma forma de indignação da população contra a precariedade da saúde e da educação, entre outros serviços básicos. Parte da população era contra a infraestrutura montada para as competições que se seguiriam (Copa das Confederações, Copa do Mundo e Olimpíadas).
Depois de dois amistosos contra a Inglaterra no Maracanã (empate em 2x2) e vitória sobre a França por 3x0 em Porto Alegre, Felipão definiu o time para a estreia na Copa das Confederações contra o Japão: Júlio César, Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Luis Gustavo, Paulinho e Oscar; Hulk, Fred e Neymar.
Copa das Confederações, Brasil 2013
Na estreia no Distrito Federal, vitória por 3x0 com gols de Neymar, Paulinho e Jô, que entrou no segundo tempo. Na segunda partida, outra vitória por 2x0 sobre o México, com gols de Neymar e mais um do reserva Jô.
Na última partida da 1° fase, o adversário era a Itália. Vitória por 4x2, gols do zagueiro Dante, Neymar e os dois primeiros gols de Fred na competição.
Nas semifinais, o adversário seria o Uruguai. Vitória por 2x1, com gols de Fred e Paulinho contra um de Cavani. A partida foi muito difícil, o goleiro Júlio César defendeu um pênalti de Diego Forlan no 1° tempo e Paulinho só marcou o gol da classificação para a final aos 40 minutos do segundo tempo.
A final foi contra a Espanha no Maracanã. A Espanha se classificou ao eliminar a Itália nos pênaltis depois de um empate em 0x0 nos 90 minutos e na prorrogação.
O duelo aguardado desde 2009 entre a seleção brasileira e a seleção espanhola, bi campeã europeia e campeã mundial na África do Sul, foi muito melhor do que a torcida brasileira esperava. Vitória por 3x0 com dois gols de Fred e um de Neymar. Era o tricampeonato da seleção brasileira na Copa das Confederações.
Mas a partida não foi tão fácil como o placar demonstrou. Fred fez um gol logo no início da partida, Neymar fez 2x0 no fim da primeira etapa e Fred definiu o placar no começo do segundo tempo. Aliás uma característica daquela seleção marcar gols nos inícios e nos finais das partidas, quando os adversários ou estavam frios, ou já estavam pensando no fim da primeira etapa ou na prorrogação, como no caso dos uruguaios.
Aquela conquista fez mal a comissão técnica da seleção brasileira: Felipão e Parreira achavam que a equipe estava pronta para conquistar o Hexa e que o time não precisava evoluir. O mal que aquela noite mágica de 30/06/2013 fez, veio à tona no dia 08/07/2014, do qual vamos tratar daqui a pouco. A soberba tomou conta e isso não poderia ter acontecido.
Antes do fim do ano mais 7 amistosos: derrota para a Suíça por 1x0 e vitórias sobre a Austrália por 6x0, Portugal por 3x1, 2x0 sobre Coreia do Sul e Zâmbia, outra goleada por 5x0 sobre Honduras e triunfo sobre o Chile por 2x1.
Em dezembro, o sorteio da Copa definiu que a anfitriã enfrentaria Croácia, México e Camarões na primeira fase. Brasil x Croácia abririam a XX Copa do Mundo no dia 12/06. Interessante é que Espanha x Holanda, que fizeram a final da Copa do Mundo do ano anterior, se enfrentariam na primeira fase, logo na primeira rodada do Grupo B. O Grupo D era o grupo da morte com três campeões mundiais: Uruguai, Inglaterra e Itália. A Costa Rica completava a chave.
Chegava o ano da Copa. No início de março, goleada de 5x0 sobre a África do Sul, no Soccer Stadium, mesmo estádio da final da Copa anterior. Um gol de Oscar, um Fernandinho, que garantia a vaga entre os 23 convocados para a Copa e três de Neymar, que vivia ótima fase no Barcelona para onde tinha se transferido no ano anterior.
Depois veio a convocação para a Copa do Mundo. Sete mudanças da seleção campeã da Copa das Confederações no ano anterior. O goleiro Diego Cavalieri do Fluminense, dava lugar a Victor do Atlético Mineiro, campeão da Libertadores no ano anterior; os laterais Jean e Filipe Luis saiam para a entrada do experiente Maicon, titular na Copa anterior e de Maxwell; o zagueiro Réver saia para a chegada de Henrique; o volante Fernando deu lugar a Fernandinho, Jádson saia para a chegada de Ramires e Lucas Moura foi substituído por Willian.
Era com esses jogadores que a seleção brasileira tentaria o Hexa em casa. Antes da Copa do Mundo uma goleada sobre o Panamá por 4x0 e uma vitória por 1x0 sobre a Sérvia.
O time para a estreia na Copa era o mesmo da Copa das Confederações: Júlio César, Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Luis Gustavo, Paulinho e Oscar; Hulk, Fred e Neymar.
Copa do Mundo do Brasil 2014
Na estreia contra a Croácia, partida nervosa e vitória por 3x1. Abertura da Copa no estádio Itaquera, a seleção brasileira estava com os nervos à flor da pele. O primeiro gol da Copa foi contra, do brasileiro Marcelo. Ainda no primeiro tempo, o brasileiro Neymar empatou. No segundo tempo, Neymar marcou de pênalti em um lance duvidoso e Oscar, que fez uma ótima partida, fez o gol da vitória.
No segundo jogo em Fortaleza, foi contra o México. Muitas chances perdidas e ótima partida do goleiro Ochoa, que agora no Qatar pode chegar a sua 5° Copa, junto com o seu companheiro de seleção Andres Guardado. A partida terminou com um empate em 0x0.
Na última partida da 1° fase, contra Camarões em Brasília, nova vitória, desta vez por 4x1. Mas o primeiro tempo foi muito difícil. Os africanos foram para cima, Neymar fez 1x0, Matip empatou para os camaroneses e Neymar marcou o seu 4° gol na Copa. Camarões levou muito perigo e chutou até uma bola na trave do goleiro Júlio César.
No segundo tempo, Fred marcou o seu primeiro gol na Copa e Fernandinho completou a goleada. A seleção brasileira terminou em 1° com o México em 2° no grupo A.
No Grupo B, a campeã mundial e europeia Espanha acabou eliminada. Foi goleada pela Holanda por 5x1, perdeu do Chile por 2x0 e só ganhou da Austrália no último jogo. A Holanda terminou em 1° e o Chile, adversário do Brasil nas oitavas, foi o 2°.
No C, a Colômbia terminou em 1° e a Grécia em 2°.
No D, a grande surpresa da Copa: a seleção da Costa Rica terminou em 1° em um grupo com Uruguai, Itália e Inglaterra. Venceu os uruguaios e os italianos e empatou com a Inglaterra. Os uruguaios terminaram na segunda colocação.
No E, França e Suíça se classificaram para as oitavas de finais. No F, Argentina e Nigéria se classificaram, Alemanha e Estados Unidos ficaram com as vagas no grupo G e Bélgica e Argélia chegaram às oitavas de finais no grupo H.
Holanda, Colômbia, Argentina e Bélgica terminaram a 1° fase com 100% de aproveitamento.
Nas oitavas de finais, o adversário foi o Chile. A seleção brasileira fez 1x0 com David Luiz, mas Alexis Sanchez empatou ainda no primeiro tempo. Partida muito nervosa e várias chances perdidas pelas duas equipes durante os 90 minutos e na prorrogação, que esbarraram nas boas atuações dos goleiros Júlio César e Cláudio Bravo. A equipe brasileira não conseguia jogar um bom futebol. A partida foi para os pênaltis, a seleção brasileira conseguiu a vaga para as quartas de finais, com uma vitória por 3x2.
Nas outras partidas, a Colômbia derrotou o Uruguai por 2x0, a Holanda virou contra o México por 2x1, Costa Rica e Grécia ficaram no empate em 1x1 nos 90 minutos e na prorrogação e os caribenhos eliminaram os gregos por 5x3 nos pênaltis, a França mandou a Nigéria para casa ao ganhar da seleção africana põe 2x0, a Alemanha precisou da prorrogação para superar a Argélia por 2x0, a Argentina também precisou da prorrogação para eliminar a Suíça por 1x0 e a Bélgica venceu os Estados Unidos por 2x1 também no tempo extra.
Nas quartas de finais o adversário seria a Colômbia. Talvez tenha sido o melhor jogo da seleção brasileira naquela Copa, apesar de não contar com o titular Luiz Gustavo suspenso. Em seu lugar, entrou Fernandinho. Além disso, Daniel Alves perdeu a posição de titular para Maicon.
O zagueiro Thiago Silva marcou 1x0 no primeiro tempo. A seleção brasileira teve várias oportunidades para ampliar o placar, mas desperdiçou todas elas.
O segundo tempo começou mais equilibrado. A Colômbia começava a assustar, mas aos 23 minutos David Luiz acertou uma cobrança de falta no ângulo e ampliou o placar. Aos 32' minutos, James Rodrigues, artilheiro da Copa com 6 gols, converteu uma cobrança de pênalti.
A seleção brasileira conseguiu aguentar a pressão nos últimos minutos, mas aos 42' perdeu o seu melhor jogador naquele mundial: o lateral colombiano Zuniga deu uma joelhada na coluna de Neymar que foi direto para o hospital. O jovem de 22 anos, camisa 10 e maior esperança da seleção brasileira, estava fora da Copa do Mundo. Thiago Silva, que levou o 2° cartão amarelo contra a Colômbia, também estava suspenso.
Nas outras partidas, a Alemanha, que enfrentaria o Brasil nas semifinais, naquela fatídica partida do Mineirão, derrotou a França por 1x0, a Argentina eliminou a Bélgica pelo mesmo placar e a Holanda superou a seleção da Costa Rica, sensação do Mundial por 4x3 nos pênaltis depois de um empate por 0x0 nos 90 minutos e na prorrogação.
O jogo entre Holanda x Costa Rica teve uma curiosidade: no fim da prorrogação, o treinador da Holanda Louis Van Gaal substituiu o goleiro Cillessen por Krul, que ainda não tinha jogado na Copa. O goleiro reserva defendeu dois pênaltis e ajudou a classificar a seleção holandesa para as semifinais.
O Mineiraço, Brasil 1x7 Alemanha
Enfrentar a seleção alemã, considerada a que jogava o melhor futebol daquela Copa, já era um grande desafio. Mas enfrentar os alemães sem o zagueiro e capitão Thiago Silva e o camisa 10 Neymar era um desafio muito maior.
No lugar do zagueiro, Felipão optou por Dante, dando a faixa de capitão a David Luiz. No lugar de Neymar, veio a surpresa: o jovem atacante Bernard do Shakhtar Donetsk da Ucrânia, que tinha sido campeão da Libertadores em 2013 pelo Atlético Mineiro.
A opção por Bernard mostrou-se errada desde o início da partida. O atacante mineiro parecia uma criança de 5 anos jogando ao lado de atletas profissionais. Logo aos 10 minutos, Muller marcou o primeiro gol da Alemanha. Aos 23, Klose aumentou o placar para 2x0, se tornando o maior artilheiro da história das Copas do Mundo, ultrapassando Ronaldo. Começava o desastre: um minuto depois, Toni Kroos fez o terceiro e marcou o 4° dois minutos depois. Aos 29, Khedira marcou o 5°.
Sofrer 4 gols em 6 minutos era algo nunca visto em semifinais de Copa do Mundo.
No segundo tempo, os alemães diminuíram o ritmo e a seleção brasileira teve algumas chances, mas o goleiro Manuel Neuer esteve muito bem. Schurrle marcou o 6° e o 7° gol aos 24 e aos 34 minutos do segundo tempo. Oscar fez o gol do Brasil aos 45. Mas o vexame estava feito.
Era a maior derrota da seleção brasileira em 100 anos de história. E na semifinal de uma Copa disputada no Brasil, a vergonha era maior.
Mas o que levou a seleção brasileira a esse desfecho? Listei alguns motivos:
- Felipão parecia não estar atualizado com o futebol moderno. As melhores seleções do mundo, como Alemanha, Argentina e Holanda, jogavam com volantes habilidosos, diferente do Brasil, que tinha em Luiz Gustavo um cão de guarda, que dificilmente passava do meio campo. A Alemanha ganhou a Copa com Khedira, Schwestzeiger e Toni Kroos e a Argentina, vice campeã mundial com Mascherano, Biglia e que também contava com o habilidoso Fernando Gago e Enzo Perez como volantes;
- Desde o início da Copa, os nervos da seleção brasileira estavam à flor da pele. Choravam no hino, no momento de comemorar um gol, quando sofriam um gol, por não bater o pênalti como Thiago Silva contra o Chile, ao ganharem uma partida. Sou contra a corrente que diz que homem não chora, mas naquele caso, houve um certo exagero. Seria preciso ter mais inteligência emocional para vencer uma Copa como país sede, ainda mais no "País do Futebol";
- Soberba da comissão técnica: depois do título da Copa das Confederações, principalmente Felipão e Parreira achavam que o título da Copa do Mundo seria fácil. Isso mostra que, mais uma vez, o título da Copa das Confederações não fez bem a seleção brasileira. Prova disso é o fraco desempenho da Espanha na Copa;
- Desfalques e time mal escalado contra a Alemanha. Além de ter perdido Thiago Silva e Neymar, seus dois melhores jogadores, Felipão optou por Bernard em vez de reforçar o meio campo. Não era o jogo ideal para o jovem atacante. O ideal seria jogar com Hernanese ou Ramires no lugar do Neymar;
- A seleção era muito dependente do talento de Neymar. No momento em que perdeu o seu melhor jogador, se viu sem rumo. Contra a Alemanha, o time parecia perdido em campo. Não se ganha uma Copa dependendo de um jogador;
- Faltava um jogador com características diferentes dos titulares, alguém com a capacidade de fazer algo diferente para mudar uma partida, para dividir os holofotes com Neymar. Kaká, que tinha voltado ao São Paulo e vivia bom momento, poderia ser esse nome;
- Uma liderança ou alguém que mostrasse um caminho fez muita falta.Quando a Alemanha começou a fazer gols em sequência, alguém tinha de parar o jogo, ou Felipão fazer uma substituição ou algum jogador tentar colocar a casa em ordem. A seleção não tinha jogadores desse tipo. Deixaram a Alemanha fazer o que queria. E ela fez.
Lembro de ouvir uma história sobre a final da Copa do Mundo de 1958 contra a Suécia. Os suecos, que jogavam em casa, fizeram 1x0 e os brasileiros pareciam abatidos. Didi botou a bola embaixo do braço e foi acalmando os jogadores e dizendo que estava tudo bem, dava para reverter o resultado, até colocar a bola no meio campo. Em poucos minutos, a seleção virou a partida e o jogo terminou 5x2 para a seleção brasileira que ganhava a primeira das suas 5 Copas. Faltou um líder como ele.
Um jogador que tivesse liderança, personalidade e autonomia para ver o que estava acontecendo e mudar as coisas dentro de campo, como o exemplo de Didi que citei, teria sido de grande valia. Thiago Silva era o capitão, mas não estava em campo e acredito que não tinha a personalidade para mudar os rumos de uma partida. Precisávamos de um capitão mais do estilo do Dunga naquele jogo.
Citei 7 motivos para a derrota. Naquele fatídico dia 08/07/2014 deu tudo errado, foi um verdadeiro pesadelo.
Na outra semifinal, deu Argentina contra a Holanda. Empate de 0x0 nos 90 minutos e na prorrogação e classificação nos pênaltis.
A seleção brasileira ainda disputou o 3° lugar. Outra derrota, desta vez por 3x0, com 2 erros defensivos. Não tinha se recuperado do vexame da partida anterior.
Nunca uma seleção semifinalista de um mundial tinha levado tantos gols nas duas últimas partidas. A seleção brasileira sofreu 10 e só marcou 1.
Outro detalhe é que das 8 seleções das quartas de finais, apesar do entusiasmo da torcida do país sede, a seleção brasileira foi a que menos empolgou. Alemanha, Argentina e Holanda e até a Bélgica, a Colômbia, a Costa Rica e a França jogaram um futebol melhor ou tão bom do que o Brasil.
A final entre Alemanha x Argentina no Maracanã, reuniu duas das melhores seleções da Copa. Foi um bom jogo com chances das duas seleções. A Alemanha acabou ganhando por 1x0 na prorrogação com um gol do atacante Mario Gotze.
O argentino Lionel Messi foi o melhor jogador do torneio, seguido de Thomas Muller da Alemanha e de Arjen Robben da Holanda. O colombiano James Rodrigues foi o artilheiro com 6 gols, seguido de Thomas Muller e do brasileiro Neymar. O francês Pogba foi eleito o melhor jogador jovem da competição.
Além desses, os alemães Manuel Neuer, Philippe Lanh, Hummels e Toni Kroos, os argentinos Marcos Rojo, Mascherano, Di Maria e Higuain, os holandeses De Vrij e Van Persie, os brasileiros Thiago Silva, David Luiz, Marcelo e Oscar, o francês Benzema, o jovem goleiro belga Cortois, os costarriquenhos Keylor Navas e Brian Ruiz e o colombiano Cuadrado foram alguns dos destaques daquela Copa.
Foi uma ótima Copa com excelentes jogadores e alguns excelentes jogos. A Costa Rica foi a grande surpresa da competição.
A Alemanha mereceu o título. Não encantou, mas foi a mais competente e ganhou a torcida brasileira.
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