As Copas que eu vi- Coreia do Sul e Japão 2002

 Chegou o dia de escrever sobre a Copa do Mundo de 2002.

A Copa do Penta, da Família Scolari.

Foi uma Copa diferente, com jogos de madrugada e, pelo menos no início, menos empolgação da população brasileira.

Eu estava com 29 anos, terminando a faculdade de jornalismo, fazendo estágios, mil coisas e, pela primeira vez, andava meio descrente da seleção brasileira para a Copa do Mundo. 

Ao longo do texto vou explicar os motivos.


Pós Copa do Mundo de 1998

O escolhido para dirigir a seleção brasileira foi Vanderlei Luxemburgo. Escolha óbvia, já que ele era considerado por boa parte da crônica esportiva o melhor treinador do Brasil.

Em 1998, como a seleção não tinha jogos tão importantes depois da Copa, Vanderlei acumulou o cargo de treinador do Corinthians e da seleção brasileira. Foi campeão brasileiro naquele ano, referendando ainda mais a escolha da CBF.

O trabalho de Luxemburgo começou bem. O treinador precisava fazer uma reformulação, uma vez que Taffarel, Aldair, Dunga e Bebeto, que disputaram as três copas anteriores, tinham se "aposentado" da seleção. Além de César Sampaio e Leonardo, que tinham mais de 30 anos.

Alguns amistosos e o bicampeonato da Copa América no Paraguai em julho de 1999 davam otimismo com a seleção brasileira.

O trabalho seguia tranquilo, mesmo com o vice campeonato na Copa das Confederações disputada no México em julho e agosto de 1999. Dois amistosos contra a Argentina (com derrota por 2x0 na Argentina e vitória por 4x2 no Brasil em setembro). Depois dois empates fora de casa contra a Holanda e a Espanha e o ano de 1999 terminava de forma bem positiva.

Chegou o ano 2000. A seleção brasileira dava os primeiros sinais de que algo não ia bem.

Em janeiro e fevereiro, Londrina sediou o Pre Olímpico de Futebol. A seleção brasileira foi campeã e classificou-se para as Olimpíadas de Sidney.

O treinador Vanderlei Luxemburgo iria dirigir a seleção principal e a "olímpica". Assim como na Copa de 2002, houve um clamor popular pela convocação de Romário. O Baixinho queria muito disputar a sua 2° Olimpíada (tinha conquistado a prata em Seul 1988). Luxemburgo tinha outros planos e não chamou nenhum jogador acima dos 23 anos.

Nas Olimpíadas, passou em primeiro no seu grupo com duas vitórias sobre Hungria e Japão e uma derrota para a África do Sul. Nas quartas de finais, enfrentou Camarões e, apesar dos africanos terem dois jogadores expulsos, só conseguiu o gol do empate por 1x1 nos acréscimos. Na prorrogação, Camarões marcou o gol da classificação. A seleção camaronesa, que ganharia o ouro ao derrotar a Espanha na disputa pelo ouro, eliminava a seleção brasileira. Era a segunda eliminação consecutiva da seleção para uma equipe africana em Olimpíadas.


Eliminatórias 

As Eliminatórias não começaram mal para a seleção brasileira. 8 pontos nos 4 primeiros jogos, com dois empates contra a Colômbia fora de casa e o Uruguai no Brasil e duas vitórias contra Equador em casa e Peru fora.

Na 5° rodada veio a primeira das 6 derrotas da seleção brasileira. 2x1 para os paraguaios em Assunção. Depois uma grande vitória sobre a ótima seleção da Argentina no Morumbi e outra derrota, desta vez por 3x0 em Santiago.

Depois de uma goleada por 5x0 sobre a Bolívia, com 3 gols de Romário, chegava o momento das Olimpíadas. 

Luxemburgo acabou demitido, pelo mau resultado nos Jogos Olímpicos e as duas derrotas nas Eliminatórias, além de estar passando por alguns problemas pessoais, como uma acusação de estupro.

Em outubro, outra goleada, desta vez sobre a Venezuela fora de casa por 6x0. Mais 4 gols do baixinho, que mostrava o quanto poderia ter sido útil nas Olimpíadas. Quem dirigiu a seleção nessa partida foi Candinho, auxiliar de Luxemburgo.

O escolhido para substituir Vanderlei Luxemburgo no comando da seleção foi Emerson Leão. Na primeira partida do novo treinador, contra a Colômbia no Morumbi, muitas vaias e pouco futebol. A vitória de 1x0, gol do zagueiro Roque Júnior não apagou o fraco desempenho da seleção.

Apesar do futebol ruim, a campanha da seleção até aquele momento não era tão ruim. 20 pontos em 10 jogos era um bom retrospecto.

O ano de 2001 mostraria o quanto a seleção brasileira precisaria trabalhar para disputar a Copa do Mundo em condições de disputar o título.

Além das últimas rodadas das Eliminatórias, a seleção brasileira ainda teria a Copa das Confederações no Japão e na Coreia do Sul e a Copa América na Colômbia.

No mês de março, veio a primeira das 8 derrotas da seleção brasileira no ano. Perdeu por 1x0 para o Equador fora de casa.

Em abril, mais um resultado ruim. Empate em 1x1 contra a fraca seleção do Peru no Morumbi.

Em junho, chegava a vez da Copa das Confederações na Coreia do Sul e no Japão. A primeira fase não foi ruim, com uma vitória na estreia sobre Camarões e dois empates contra o Canadá e o Japão. Nas semifinais, derrota e eliminação para a França por 2x1 e depois ainda perdeu na decisão do 3° lugar, desta vez para a Austrália por 1x0.

Emerson Leão não resistiu a má campanha na competição e acabou demitido pela CBF. Em seu lugar, o escolhido foi Luiz Felipe Scolari.

Felipão, como é conhecido no meio do futebol, vinha de bons trabalhos no Grêmio e no Palmeiras e estava treinando o Cruzeiro quando foi convidado para dirigir a seleção.

Scolari, gostava de jogar em um esquema com 3 zagueiros e procurou adaptar esse sistema tático na seleção brasileira.

Na estreia em 1 de julho, uma nova derrota: perdeu por 1x0 para o Uruguai em Montevideu.

Mas o pior, estava por vir: julho também era o mês da Copa América da Colômbia. Depois de perder por 1x0 para o México na estreia, derrotou Paraguai e Peru, se classificando para as quartas de finais em primeiro lugar do seu grupo.

Enfrentaria a seleção de Honduras. Era favorita, apesar do mau futebol, mas acabou perdendo para a fraca seleção da América Central por 2x0 e foi eliminada da competição.

Em agosto, duas vitórias: goleou o Panamá por 5x0 em um amistoso e venceu a seleção do Paraguai por 2x0 em Curitiba pelas Eliminatórias.

No mês de setembro, perdeu novamente: desta vez para a Argentina em Buenos Aires por 2x1, complicando a classificação para a Copa do ano seguinte.

Em outubro, outra vitória sobre o Chile, novamente por 2x0 e a seleção brasileira só dependia de si para se classificar para o mundial do ano seguinte. 

Em novembro, a 6° derrota nas Eliminatórias para a Bolívia por 3x1 fora de casa e a classificação só veio no último jogo com uma vitória de 3x0 para a Venezuela em São Luís no Maranhão. Dois gols de Luisão e um de Rivaldo, com ótima atuação de Edilson, que deu passes para os 3 gols e de Luisão, autor de dois gols. Os dois atacantes praticamente garantiram vaga na Copa da Coreia do Sul e do Japão.

Foi difícil, mas a seleção estava classificada para a sua 17° Copa do Mundo. Até hoje é a única seleção a disputar todas as Copas do Mundo.

O meu sentimento era de preocupação. Ronaldo estava lesionado e não jogava há quase dois anos e Rivaldo também vinha sofrendo com problemas de contusão. Além disso, o futebol da seleção brasileira não inspirava confiança.

Em 2001, foram 7 vitórias, 3 empates e 8 derrotas. Aproveitamento de menos de 50%. O time tinha muito a evoluir a 6 meses da Copa.

Em dezembro foi realizado o sorteio para a Copa do Mundo. O Brasil caiu no Grupo C e jogaria a primeira fase na Coreia do Sul contra a Turquia, a China e a Costa Rica na primeira fase. O grupo não era fácil.


2002

Chegava o ano de 2002. Até a estreia na Copa, contra a Turquia no dia 03/06, a seleção brasileira tinha uma série de compromissos.

Esses amistosos foram importantes por diversos motivos: o primeiro deles era entrosar o time; Além disso, o Campeonato Brasileiro de 2001 mostrou alguns bons valores que poderiam ser utilizados na seleção, como o zagueiro Anderson Polga do Grêmio, o volante Gilberto Silva do Atlético Mineiro, o meio campista Kleberson do campeão brasileiro Athletico Paranaense e o meia atacante Kaka do São Paulo e aquela era a oportunidade para testá-los. E o mais importante: os jogos seriam importantes para recuperar e dar ritmo de jogo a Ronaldo Fenômeno, que estava há quase 2 anos sem jogar e a recuperar Rivaldo, que tinha se contundido no Barcelona.

Foram 5 amistosos antes da convocação final, que cumpriram muito bem esses objetivos: Brasil 6x0 Bolívia, Arábia Saudita 0x1 Brasil, Brasil 6x1 Islândia, Brasil 1x0 Iugoslávia. O último amistoso era contra a seleção de Portugal, uma das candidatas ao título do Mundial dois meses depois: empate em 1x1. O ataque com os 3R's (Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo e Rivaldo) funcionou bem, mas a defesa ainda preocupava.


Convocação 

A convocação para a Copa foi cercada de muita expectativa: havia um clamor nacional pela convocação de Romário e o baixinho deu declarações dizendo que estava bem e queria muito disputar a sua última Copa. O atacante estava em boa forma e tinha sido artilheiro do Campeonato Brasileiro do ano anterior. Felipão resistiu a pressão e decidiu não chamar Romário. Djalminha, Zé Roberto e Alex, um dos preferidos de Felipão, também ficaram de fora.

A primeira fase da preparação foi em Barcelona. Após alguns treinos e um amistoso com vitória de 3x1 sobre um combinado da Catalunha, a equipe foi para a Malásia. Lá enfrentaram a seleção local e golearam por 4x0. Felipão já tinha o time da estreia na Copa: Marcos, Lúcio, Edmilson e Roque Júnior; Cafu, Gilberto Silva, Emerson e Roberto Carlos; Ronaldinho Gaúcho; Ronaldo e Rivaldo.

Na véspera da estreia contra a Turquia, uma baixa: durante uma brincadeira entre os jogadores, chamada de rachão, o volante Emerson, titular daquela seleção, que gostava de brincar na posição de goleiro, machucou o ombro e precisou ser cortado: no seu lugar, foi convocado Ricardinho.


Copa do Mundo

03/06/2002- Brasil 2x1 Turquia

Jogo nervoso na estreia. Juninho Paulista foi o escolhido para entrar no lugar de Emerson, ao invés de Vampeta ou Kleberson, o que seria mais óbvio.

Na primeira etapa, a seleção brasileira teve mais chances de abrir o marcador, mas esbarrou no bom goleiro Rustu. A partida se encaminhava para o intervalo, quando o turco Hasan Saas marcou para a Turquia. A seleção brasileira ia para o intervalo da partida com uma derrota.

No segundo tempo, logo aos 5 minutos, Ronaldo Fenômeno marcou o primeiro dos seus 8 gols na Copa da Coreia e do Japão, empatando a partida: Rivaldo recebeu com espaço e cruzou para o Fenômeno marcar. Os R's começavam a funcionar. O jogo continuava nervoso. A seleção brasileira tinha mais chances, mas os turcos assustavam nos contra ataques. Aos 41 minutos, quando a partida se encaminhava para o empate, o zagueiro Alpay puxou a camisa do atacante Luisão, que tinha acabado de entrar, na entrada da área. Luisão, caiu dentro da área e o juiz marcou pênalti, erroneamente. Rivaldo aproveitou a chance e virou a partida. A seleção brasileira começava com vitória na 17° edição da Copa do Mundo.


08/06/2002- Brasil 4x0 China

5 dias depois o desafio era contra a China. Jogo bem mais tranquilo do que o da estreia. Goleada de 4x0 com gols de Roberto Carlos de falta, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho de pênalti no primeiro tempo e Ronaldo completou o placar. 


13/06/2002- Brasil 5x2 Costa Rica

O último jogo da primeira fase foi contra a Costa Rica. Com a equipe classificada, poupou alguns jogadores. Roque Júnior, Roberto Carlos e Ronaldinho Gaúcho ficaram no banco para Anderson Polga, Júnior e Edilson entrarem.

Ronaldo marcou os dois primeiros gols com 15 minutos de partida. Antes dos 20 minutos, Edmilson marcou 3x0 com um golaço de bicicleta. Antes do fim do primeiro tempo, Wanchope diminuiu o marcador para os caribenhos.

Logo no início do segundo tempo Ronald Gomez fez o 2° da Costa Rica mas, pouco depois, Rivaldo e Júnior deram números finais a partida. 

A seleção brasileira estava classificada em 1° lugar no seu grupo e enfrentaria a Bélgica nas oitavas de finais do Mundial.


França, Argentina e Portugal eliminadas na 1° fase:

Três das principais favoritas ao título foram eliminadas ainda na primeira fase.

A França, campeã mundial em 1998, fez uma péssima campanha, com duas derrotas e um empate, nenhum gol marcado e três sofridos. 

No jogo de abertura da Copa, a França foi derrotada pela estreante seleção de Senegal por 1x0. Os africanos foram uma das surpresas da Copa, chegando às quartas de finais do mundial, sendo eliminada pela Turquia. Na segunda partida, empate em 0x0 contra o Uruguai e na última partida, derrota para a Dinamarca por 2x0. Os franceses culpam a decepcionante campanha ao desgaste físico e a contusão do seu maior craque, Zinedine Zidane, que só jogou a última partida.

Outra das favoritas, a Argentina também foi eliminada em um grupo que tinha Nigéria, Inglaterra e Suécia. Vitória por 1x0 sobre a Nigéria, derrota pelo mesmo placar para a Inglaterra e empate em 1x1 contra a Suécia. A Argentina tinha uma boa seleção com Ayala, Simeone, Veron, Sorin, Ortega, Claudio Lopes e Batistuta como destaques.

Portugal foi outra decepção daquela 1° fase: perdeu para os Estados Unidos na estreia por 3x2, ganhou da Polônia por 4x0 na 2° rodada e perdeu na última rodada para a anfitriã Coreia do Sul na última rodada. Os portugueses tinham o craque Figo, eleito o melhor jogador de futebol pela FIFA no ano anterior, Rui Costa, Pauleta e Sérgio Conceição como destaques.

Alguns críticos dizem que essas eliminações facilitaram a caminhada para o Penta da Seleção Brasileira, mas a equipe fez uma boa Copa e superou todos os adversários que teve pela frente.


17/06/2002- Brasil 2x0 Bélgica 

Nas oitavas de finais o adversário era a Bélgica, 2° colocada do Grupo H. Primeiro tempo complicado, os belgas exigiram muito do goleiro Marcos. Várias chances de ambos os lados. O atacante Wilmots marcou um gol de cabeça, bem anulado pelo juiz. 

O segundo tempo também começou equilibrado. Até Rivaldo marcar 1x0 aos 22 minutos. Os belgas continuaram pressionando, mas Ronaldo completou o placar aos 41 minutos, depois de grande jogada de Kleberson, que tinha entrado no lugar de Juninho Paulista.

Nas outras partidas das oitavas de finais, a Alemanha derrotou o Paraguai por 1x0, a Inglaterra eliminou a Dinamarca por 3x0, o Senegal ganhou da Suécia por 2x1 na prorrogação, a Espanha mandou o Eire para casa nos pênaltis, depois de empatar em 1x1 nos 90 minutos e na prorrogação, os Estados Unidos eliminaram o México por 2x0, a Turquia derrotou os anfitriões Japão por 1x0 e a Coreia do Sul eliminou a Itália por 2x1 também na prorrogação, em partida com arbitragem muito polêmica.


21/06/2002- Brasil 2x1 Inglaterra 

Nas quartas de finais, o adversário seria a Inglaterra, uma das melhores seleções da competição junto com a brasileira. E aquele foi o jogo de Ronaldinho Gaúcho, protagonista da partida.

Kleberson, que tinha entrado bem contra a Bélgica, ganhou a posição de titular no lugar de Juninho Paulista. Com o volante do Athletico Paranaense, a seleção ganhou dinamismo no meio campo, além de ter melhorado o sistema defensivo da equipe.

O jogo começou equilibrado com as duas seleções se estudando. Aos 23 minutos, o atacante Michael Owen marcou 1x0 para os ingleses, depois de falha do zagueiro Lúcio. A seleção brasileira ia ter de virar a partida, pela 2° vez na Copa (a primeira foi na estreia contra a Turquia). Aos 45 minutos, Ronaldinho Gaúcho começou a dar o seu show: o jovem atacante fez uma grande jogada individual e passou para Rivaldo empatar a partida. A seleção brasileira ia para o intervalo com o placar igual.

Aos 5 minutos do segundo tempo, Ronaldinho Gaúcho fez uma jogada genial: sabia que o goleiro Seaman jogava adiantado e encobriu o arqueiro em uma cobrança de falta, virando a partida. 

Pouco depois, Ronaldinho Gaúcho fez uma falta dura e foi expulso. Ele já tinha dado o seu show. A seleção brasileira, conhecida como Família Scolari, suportou bem a pressão e manteve o resultado. 

Nas outras partidas das quartas de finais, a Alemanha derrotou os Estados Unidos por 1x0, a Coreia do Sul empatou em 0x0 contra a Espanha e eliminou os espanhóis nos pênaltis,  em outra partida em que a Coreia foi beneficiada e a Turquia eliminou o Senegal por 1x0 na prorrogação. Lembrando que a seleção africana era a grande sensação daquela competição e muitos brasileiros torceram por ela, inclusive o autor deste texto.


26/06/2002- Brasil 1x0 Turquia

O adversário das semifinais seria novamente a Turquia. Os turcos tinham sido o adversário mais difícil da 1° fase e eliminaram os anfitriões Japão nas oitavas de finais e a boa seleção de Senegal, sensação daquela Copa, nas quartas de finais.

No lugar de Ronaldinho Gaúcho, expulso no jogo anterior, jogaria Edilson. Ronaldo Fenômeno sentia dores musculares e era dúvida para as semifinais. Foi dúvida até dois dias antes da partida, quando apareceu com o novo corte de cabelo, estilo o personagem Cascão da Turma da Mônica. Felipão teve a certeza de que, com aquele corte de cabelo, o Fenômeno iria jogar.

E ele jogou, mas não estava 100%. No primeiro tempo se movimentou pouco e até teve chances, esbarrando no bom goleiro Rustu. A seleção brasileira começou sendo pressionada, mas foi melhorando e teve mais chances do que os turcos, mas não conseguiu aproveitar as oportunidades.

Logo no início do segundo tempo, o Fenômeno mostrou porque tinha de estar em campo. Fez uma jogada individual e marcou o gol da seleção brasileira de bico, desviando do goleiro Rustu. Pouco depois, Ronaldo foi substituído por Luisão. A seleção brasileira teve várias chances e a Turquia assustou, mas a partida terminou 1x0 mesmo. 

A seleção brasileira estava classificada para a final da sua 3° final de Copa consecutiva, repetindo a Alemanha, que esteve nas finais das Copas de 82, 86 e 90.

O adversário da final seria a Alemanha, que derrotou a Coreia do Sul por 1x0 com um gol de Michael Ballack. Ballack vinha sendo o destaque dos alemães, mas levou um cartão amarelo na semifinal e estava suspenso da final.


29/06/2002- Turquia 3x2 Coreia do Sul

Na véspera da final, a Turquia conquistou a 3° colocação da Copa. Derrotou os coreanos por 3x2. Os coreanos, beneficiados pela arbitragem nas oitavas e quartas de finais, terminaram em uma honrosa 4° colocação do mundial que sediaram.


30/06/2002- Brasil 2x0 Alemanha 

Chegava o dia da final da XVII Copa do Mundo. As duas seleções tinham 7 títulos mundiais (4 do Brasil e 3 da Alemanha). Seria o primeiro confronto entre as duas seleções em Copas do Mundo.

A seleção brasileira foi superior no primeiro tempo. Perdeu algumas chances e o volante Kleberson fez grande partida, aparecendo no ataque várias vezes. O volante chutou uma bola na trave no fim do primeiro tempo.

A Alemanha voltou melhor no segundo tempo. Chutou uma bola na trave e obrigou o goleiro Marcos a trabalhar. Até que aos 22 minutos, Ronaldo Fenômeno recuperou uma bola, passou para Rivaldo que chutou de fora da área. O goleiro Oliver Kahn, eleito o melhor jogador do mundial soltou a bola nos pés de Ronaldo que marcou o seu sétimo gol naquela Copa. Aos 30, Kleberson avançou pela direita e tocou para Rivaldo que fez um corta luz e a bola sobrou limpa para Ronaldo marcar 2x0. O Penta estava próximo.

A Alemanha ainda teve uma chance, bem defendida por Marcos. que fez uma Copa muito segura. Terminou 2x0 e a seleção brasileira conquistava o Tetra. A Família Scolari era campeã mundial. Aquele grupo era muito unido e realmente parecia uma Grande Família, fazendo uma analogia a um seriado que fazia sucesso na época.

A seleção brasileira tinha ótimos valores: Marcos, Cafu, Kleberson, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo e Rivaldo fizeram uma ótima Copa do Mundo. Ronaldo, o 2° melhor jogador do mundial, foi o artilheiro com 8 gols. 

Edmilson, Gilberto Silva e Roberto Carlos também foram bem e Lúcio e Roque Júnior foram melhorando ao longo do mundial.

Além dos brasileiros, os alemães Oliver Kahn, Michael Ballack e Klose foram muito bem pela Alemanha. O goleiro Rustu e o meio campista Hasan Saas se destacaram pela Turquia e os coreanos Hong Myung-boo (eleito o 3° melhor jogador daquele mundial), Park Ji-sung, considerado o melhor jogador coreano da história, Seol Ki-hyon e Ahn Jung-Hwan foram alguns dos bons jogadores daquele mundial. Não podemos esquecer dos senegaleses Papa Bouba Diop, Henri Câmara, Fadiga e Diouf, sem falar em David Beckham e Michael Owen da boa seleção da Inglaterra.

A seleção de Senegal foi a grande sensação da Copa de 2002, com o seu bonito futebol. A Turquia também foi uma ótima surpresa, que deu muito trabalho a seleção brasileira nos dois jogos. Os coreanos, semifinalistas daquele mundial, chegaram muito pela força da sua torcida e por alguns erros de arbitragem contra a Itália e a Espanha.

A conquista da seleção brasileira foi justa. A equipe foi evoluindo ao longo da competição como lembrava o seu treinador Luis Felipe Scolari.

Aquela conquista completou 20 anos no último dia 30/06. E a seleção brasileira nunca mais foi campeã. O jejum é quase igual aos 24 anos entre o TRI e o TETRA. Este ano será que esse jejum acaba?


Imagem site carolcoxinhas.

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