As Copas que eu vi- África do Sul 2010

Chegou o dia de escrever sobre a Copa do Mundo de 2010. 

A equipe treinada por Dunga, era uma boa seleção, das maiores favoritas junto com a forte seleção espanhola.

Aos 37 anos e apaixonado por futebol e Copas do Mundo, eu confiava muito no Hexa da seleção brasileira.


Pós Copa do Mundo de 2006

Após a Copa do Mundo da Alemanha, a CBF diagnosticou que tinha faltado disciplina e organização ao time. E foi atrás de um treinador linha dura.

O escolhido, para surpresa de muitos, foi o ex capitão da seleção brasileira, Dunga, que nunca tinha sido treinador. Ele topou o desafio e conseguiu montar um time competitivo para a Copa de 2010.

Dunga precisava fazer uma reformulação na seleção, uma vez que Dida, Cafu, Roberto Carlos, Zé Roberto e Ronaldo Fenômeno entre outros estavam se despedindo da seleção.

O trabalho do novo treinador começou bem. Após um empate contra a Noruega por 1x1 fora de casa, uma grande vitória por 3x0 sobre a boa seleção da Argentina.

Um detalhe é que Dunga deixou Kaká e Ronaldinho Gaúcho no banco de reservas nessas primeiras partidas. Kaká viraria titular e camisa 10, mas Ronaldinho começou a perder espaço, mesmo tendo disputado as Olimpíadas de Pequim em 2008.

Após essas duas partidas, mais 4 vitórias antes do fim do ano. O ano seguinte começou com a primeira derrota da seleção brasileira sob o comando de Dunga para Portugal fora de casa.

Duas vitórias sobre Chile e Gana e dois empates contra a Inglaterra e a Turquia fora de casa e chegava o momento da primeira competição internacional sob o comando do novo treinador.


Copa América 2007

A competição sul americana de seleções seria disputada na Venezuela. A estreia foi com uma derrota para o México por 2x0. Depois vitórias por 3x0 contra o Chile e por 1x0 sobre o Equador.

Nas quartas de finais, o adversário seria novamente a seleção chilena. Desta vez uma goleada por 6x1. Nas semifinais, o rival seria o Uruguai. Jogo muito difícil e empate em 2x2. Nos pênaltis, a seleção ganhou por 5x4 e estava na final.

A final da Copa América seria contra a Argentina. Assim como na final da Copa das Confederações dois anos antes, uma ótima atuação e vitória de 3x0 com gols de Júlio Batista, o zagueiro Ayala contra e Daniel Alves. A seleção brasileira ganhava a 4° Copa América fora de casa.


Eliminatórias da Copa: 

Mais uma classificação tranquila da seleção brasileira. Terminou em primeiro lugar, com os mesmos 34 pontos de 9 vitórias, 7 empates e duas derrotas da classificação para a Copa de 2006. Derrotas somente para o Paraguai por 2x0 em Assunção e para a Bolívia por 2x1 em La Paz. O ponto alto da campanha foram 3 vitórias fora de casa contra seleções que estariam na Copa da África do Sul: derrotou o Chile por 3x0, o Uruguai por 4x0 e a Argentina por 3x1.


Olimpíadas 2008

Dunga foi o treinador da seleção brasileira nas Olimpíadas de Pequim 2008: a geração mesmo sem ser brilhante, tinha alguns bons nomes como o goleiro Diego Alves, o lateral Marcelo, o zagueiro Thiago Silva, os meio campistas Lucas Leiva, Hernanes, Ramires, Diego e Thiago Neves e o atacante Alexandre Pato. Como poderia levar 3 jogadores acima de 23 anos, o treinador optou por levar Thiago Silva do Fluminense, Ronaldinho Gaúcho do Milan da Itália e Robinho do Manchester City. Robinho não foi liberado e Dunga decidiu levar somente dois jogadores acima da idade e chamou Ramires, que começava a se destacar no Cruzeiro.

A seleção começou bem. 3 vitórias na primeira fase sobre Bélgica, Nova Zelândia e China davam a esperança de que finalmente viria a medalha de ouro. Nas quartas de finais, vitória por 2x0 sobre Camarões na prorrogação e nas semifinais acabou eliminada pela Argentina, que seria bi campeã olimpica por 3x0. Riquelme era o destaque dos hermanos, junto com Messi. Na disputa pela medalha de bronze, nova vitória sobre a Bélgica, desta vez por 3x0.


Copa das Confederações 2009

Um ano depois, com a classificação encaminhada para a Copa do Mundo, chegava a hora de disputar a Copa das Confederações na África do Sul. Era a oportunidade de enfrentar a seleção da Espanha, nova sensação do futebol europeu, desde a conquista da Eurocopa no ano anterior.

A seleção espanhola adotava o sistema tiki-taca, que privilegiava a posse de bola. A base daquele time era o Barcelona, treinado por Pep Guardiola e que era a base da Fúria (Pique, Puyol, Busquets, Xavi e Iniesta eram titulares da seleção).

A seleção brasileira passou em primeiro lugar no seu grupo. Depois de um susto na estreia contra o Egito (vitória de 4x3, depois de ter feito 3x1 no primeiro tempo, sofreu o empate no segundo tempo e Kaká decidiu a partida de pênalti nos acréscimos).

Nas outras duas partidas da primeira fase, duas vitórias por 3x0 sobre os Estados Unidos.

O desafio nas semifinais era a África do Sul, dona da casa. Partida difícil, a seleção brasileira perdeu várias chances e Daniel Alves marcou de falta o gol da vitória aos 42 minutos da etapa final.

O esperado confronto contra a Fúria na final não aconteceu. A Espanha perdeu por 2x0 para os Estados Unidos nas semifinais.

Na final contra os Estados Unidos, a seleção brasileira sofreu dois gols no primeiro tempo. Logo no princípio do segundo tempo, Luis Fabiano empatou a partida e o capitão Lúcio marcou o gol do 3° título da seleção brasileira na Copa das Confederações.

A seleção brasileira se consolidava como uma das maiores favoritas ao título mundial da Copa do ano seguinte, junto com a Espanha.

Dunga montou uma seleção muito boa defensivamente, que usava os contra ataques e as bolas aéreas como as suas principais armas. A seleção tinha o goleiro Júlio César, um dos melhores do mundo na época, o lateral direito Maicon e os zagueiros Lúcio e Juan. Na lateral esquerda, o treinador tinha algumas dúvidas e testou alguns jogadores como Kleber do Internacional e André Santos do Corinthians.

No meio campo, a seleção tinha o experiente Gilberto Silva, Felipe Melo, que vivia bom momento na Juventus da Itália, Elano e Kaká. O ataque contava com o talentoso atacante Robinho e o oportunista Luis Fabiano.

Em dezembro no sorteio para a Copa, foram definidos os adversários da seleção brasileira na primeira fase da Copa. A estreia seria contra a desconhecida Coreia do Norte, depois a seleção brasileira enfrentaria a ascendente seleção africana da Costa do Marfim e a boa seleção de Portugal, que já contava com o craque Cristiano Ronaldo.

Chegava o ano da Copa do Mundo da África do Sul e com ele Dunga fechava o grupo para o Mundial que seria pela primeira vez disputado no continente africano.

Em março, o último amistoso antes da convocação para a Copa foi contra a Irlanda. Vitória por 2x0 e o treinador disse que já tinha o grupo fechado. Talvez tenha sido cedo demais.


Convocação 

A convocação para a Copa do Mundo não teve surpresas. Apesar de Paulo Henrique Ganso e Neymar estarem vivendo um grande momento pelo Santos e terem sido campeões paulistas e da Copa do Brasil, Dunga não convocou os jovens. Preferiu chamar os atletas em quem já tinha confiança. Ronaldinho Gaúcho também ficou de fora, assim como o Adriano Imperador, mas esses já estavam em declínio na carreira. A surpresa da convocação foi o volante Kleberson, reserva do Flamengo, que vivia má fase no seu clube e tinha jogado apenas 49 minutos com Dunga (no amistoso contra a Estônia, em agosto de 2009).

Outro que jogou pouco com o capitão do Tetra foi Grafite, que jogou somente 58 minutos.

Durante a preparação para a Copa, foram 3 goleadas: contra o Zimbabwe por 3x0 e sobre a Tanzânia por 5x1.

Dunga tinha o time para iniciar a Copa. Na lateral esquerda, dúvida do treinador, optou por Michel Bastos, que vivia boa fase na França.  O time iria estrear com Júlio César, Maicon, Lúcio, Juan e Michel Bastos; Gilberto Silva, Felipe Melo, Elano e Kaká; Luis Fabiano e Robinho.


Copa do Mundo

A estreia na Copa foi contra a Coreia do Norte. Parecia um jogo fácil. Mas não foi. Vitória por 2x1 da seleção brasileira com gols de Maicon e Elano, com os coreanos assustando bastante o goleiro Júlio César no fim da partida.

A segunda partida foi contra a Costa do Marfim. Os africanos abusaram da violência e a seleção brasileira perdeu Elano machucado e Kaká expulso. A vitória por 3x1 com dois gols de Luis Fabiano e um de Elano, não escondeu os problemas do time.

O último jogo da primeira fase foi contra a boa seleção de Portugal. Empate em 0x0 que classificou a seleção brasileira em 1° e a portuguesa em 2° no grupo G. Com Daniel Alves no lugar de Elano, Júlio Batista no de Kaká e Nilmar, um dos melhores em campo, no lugar de Robinho, a seleção brasileira ia para o jogo contra o adversário mais difícil da primeira fase.

O jogo foi ruim, com entradas duras das duas seleções e algumas chances perdidas.

No grupo A, Uruguai e México garantiram a classificação. Pela primeira vez na história das Copas, a anfitriã não passava da primeira fase. A França, vice campeã da Copa anterior, também ficou de fora.

No grupo B, Argentina e Coreia do Sul garantiram a vaga nas oitavas de finais. No C, Estados Unidos e Inglaterra chegavam a 2° fase e no D, Alemanha e a boa seleção de Gana avançaram. No E, Holanda e Japão chegavam às oitavas de finais, eliminando Dinamarca e Camarões.

O grupo F era o da Itália, campeã da última Copa. Com Paraguai, Nova Zelândia e Eslováquia, não era um grupo difícil. Mas a Azurra foi muito mal e acabou na última colocação atrás de Paraguai e Eslováquia classificados para as oitavas de finais e até da Nova Zelândia.

No grupo H, mesmo perdendo a primeira partida para a Suíça, a Espanha se classificou em 1°, com o Chile em 2°. A seleção chilena seria o adversário do Brasil nas oitavas de finais.

Nas oitavas de finais, o Brasil ganhou fácil de 3x0, com gols de Juan, Luis Fabiano e Robinho. Tudo corria bem, vitória tranquila, boa atuação, mas no fim da partida, Ramires leva o 2° cartão amarelo e é suspenso da partida seguinte contra a Holanda pelas quartas de finais.

Nas outras partidas das oitavas, o Uruguai passou pela Coreia do Sul por 2x1, mesmo placar em que Gana ganhou dos Estados Unidos (na prorrogação, depois de empate em 1x1 nos 90 minutos). Goleada de 4x1 da Alemanha sobre a Inglaterra e a Argentina ganhou do México por 3x1. Vitória da Holanda sobre a Eslováquia por 2x1 e o Paraguai eliminou o Japão nos pênaltis depois de empate em 0x0 no tempo normal e na prorrogação. Por último a Espanha eliminou Portugal ao ganhar por 1x0.

A partida da Holanda seria a mais difícil da seleção brasileira até ali. No lugar de Ramires, Dunga escalou Daniel Alves. 

A seleção brasileira começou muito bem a partida. Com 10 minutos de jogo, Felipe Melo fez um lançamento sensacional para Robinho fazer 1x0. A seleção brasileira teve várias chances na primeira etapa e parecia que ia conseguir a vitória sem dificuldades. Parecia:

No 2° tempo, tudo mudou. No início da etapa final, Sneijder, camisa 10 da Holanda cruzou para a área. Um cruzamento despretensioso, ia nas mãos do Júlio César. Mas Felipe Melo não percebeu e subiu para cabecear a bola, dividindo com o goleiro. A bola passou pelos dois e entrou. Pouco tempo depois, escanteio para a Holanda. A bola passou e chegou na cabeça do baixinho Sneijder. 2x1 para a Holanda. Em seguida, Felipe Melo perdeu a cabeça e pisou na coxa de um holandês após fazer uma falta e acabou expulso. A seleção brasileira tentou, mas não conseguiu reagir. Estava eliminada da Copa naquela que era uma das suas principais armas: a seleção brasileira era muito boa no jogo aéreo tanto ofensiva como defensivamente.

O detalhe dessa partida é que Dunga ainda tinha uma substituição para fazer, mas não fez porque, segundo o próprio treinador, olhou para o banco de reservas e não encontrou ninguém que pudesse mudar o jogo. Podia ter colocado Grafite ou Júlio Batista para tentar o empate, mas não fez isso. Será que sentiu falta de Paulo Henrique Ganso e Neymar nesse momento? Com eles talvez tivesse mais opções para tentar alterar o resultado da partida.

Nas outras partidas das quartas de finais, a Alemanha goleou a Argentina por 4x0 e a Espanha eliminou o Paraguai por 1x0.

O jogo entre Uruguai e Gana foi um dos mais emocionantes da história das Copas. Empate em 1x1 no tempo normal e o 0x0 na prorrogação ia levando a decisão da vaga para os pênaltis. No último minuto da prorrogação, ataque duas  seleção de Gana, a bola ia entrando mas Luisito Suárez salvou em cima da linha, como se fosse o goleiro Muslera. Pênalti claro e a chance de uma seleção africana chegar pela 1° vez às semifinais da Copa. O atacante Gyan perdeu o pênalti. Na decisão por pênaltis, o Uruguai garantiu a vaga nas semifinais.

Nas semifinais, a Holanda eliminou o Uruguai por 3x2 e a Espanha superou a Alemanha por 1x0. Espanha e Holanda fariam a final da Copa da África do Sul e as Copas conheceriam o seu 8° campeão em 19 edições.

A Alemanha ganhou do Uruguai por 3x2 e garantiu o 3° lugar do mundial. 

Na final entre Espanha x Holanda os jogadores da Holanda abusaram da violência. A Espanha não conseguia furar a boa defesa e o empate de 0x0 seguiu até os 11 minutos do 2° tempo da prorrogação. Iniesta marcou dando o 1° e único título para a Espanha. A Fúria era campeã mundial e o tiki-taca era o sistema tático da moda. 

O uruguaio Diego Forlan foi escolhido o melhor jogador, com o holandês Wesley Sneijder em segundo e o espanhol David Villa em 3°. O espanhol Casillas foi eleito o melhor goleiro da Copa.

Quatro jogadores terminaram a Copa como artilheiros com 5 gols. Muller da Alemanha, David Villa da Espanha, Wesley Sneijder da Holanda e Diego Forlan do Uruguai.

Além desses, outros destaques foram os zagueiros Sérgio Ramos, Piquet e os meias Xavi e Iniesta da Espanha, o lateral esquerdo Van Bronckhost e o atacante Van Persie da Holanda, o goleiro Neuer, o lateral Philipp Lahn, o meio campista Bastian Schwestzeiger e o atacante Miroslav Klose que, com os 4 gols marcados na África do Sul, ficava a um gol de ultrapassar o brasileiro Ronaldo como o jogador que mais marcou gols em Copas do Mundo da Alemanha Além deles, o zagueiro Diego Lugano e o atacante Loco Abreu do Uruguai, o brasileiro Maicon e o argentino Higuain também fizeram uma boa Copa. 

A sensação da Copa da África do Sul foi a seleção de Gana. Tinha ótimos jogadores como os zagueiros Asamoah e Mensah e os atacantes André e Jordan Ayew e o destaque Asamoah Gyan.

A Espanha mereceu o título, a Holanda, a Alemanha e o Uruguai fizeram uma boa Copa, mas a sensação que fiquei é que a seleção brasileira poderia ter ido mais longe na Copa da África do Sul.



Imagem Wikipedia 

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