As Copas que eu vi- Espanha 1982

Hoje começo uma nova série aqui no blog. As Copas que eu vi.

Em 1978 na Argentina, só tinha 5 anos e não me lembro daquela Copa. 

Essa Copa da Espanha explica um pouco da minha paixão por futebol, pela Seleção Brasileira e por Copas do Mundo.


Expectativa:

A expectativa de um garoto de 9 anos, que já gostava de futebol era a melhor possível. 

Ainda mais eu, um botafoguense sadio atualmente, mas que era uma criança flamenguista doente. E o Flamengo vivia grande momento naquela época: bicampeão brasileiro, campeão carioca, da Libertadores e Mundial.

E a seleção brasileira tinha três craques daquele time como titulares absolutos: os laterais Leandro e Júnior e o maior de todos (para mim), o grande e genial Zico.

Claro que, para aquele menino flamenguista, a presença de Raul, Andrade, Tita e Nunes era mais do que justa. Uma pena que Tele Santana não pensava assim.

Além dessa expectativa, no Rio Comprido, zona norte do Rio de Janeiro, onde eu morava, ainda pintavamos a rua. Era algo mágico, a rua inteira rindo, brincando e pintando o Naranjito. Bons tempos que não tínhamos grandes  preocupações. Violência urbana? Se existia não conhecíamos.

Além disso, a Telerj tinha um número que você ligava e ouvia a voz dos jogadores. Eu tentei no orelhão com a minha irmã Sofia, mas não conseguimos. Mas aquilo só aumentou a magia e a alegria daquele garoto de 9 anos.


A Copa

Chegava o grande dia da estreia da seleção brasileira. Tudo pronto, expectativa a mil, só se falava naquele Brasil x União Soviética. Os times entraram em campo e...

A nossa televisão pifou. Era uma Philco, preto e branco, que mudavamos os canais manualmente.

Corremos para assistir o jogo na casa de uns amigos em uma vila do outro lado do edifício onde morávamos.

Lá assistimos a estreia (virada dramática) e as goleadas sobre a Escócia e a Nova Zelândia.

Ah, a televisão... A minha mãe tinha deixado em uma loja para consertar e todos os dias o dono dizia: voltem amanhã, mas a TV não saia do lugar. Até que um dia a minha mãe zangou-se e exigiu a televisão de volta. Chegando em casa, fomos testar e, para nossa surpresa, estava melhor do que antes.

Assisti em casa a grande atuação da nossa seleção contra a Argentina. 3x1 com sobras. Contra a Itália, a seleção brasileira foi eliminada, mas aquela seleção já tinha conquistado o meu coração. 

Tempos depois descobri que tinha conquistado não apenas aquele garoto flamenguista, mas os corações de boa parte do mundo que lembra daquela seleção brasileira até hoje.


O time:

Aquele time era brilhante: Waldir Peres, Leandro, Oscar, Luisinho e Júnior; Toninho Cerezo, Falcão, Sócrates e Zico; Serginho e Éder. Um timaço. 

Talvez Waldir Peres e Serginho não estivessem a altura daquele time de craques. 

O goleiro falhou logo no primeiro jogo e Serginho estava muito aquém da qualidade daquele time. 

Leão ou até Raul do Flamengo poderiam estar no gol daquela seleção, até por estarem em melhor fase que o arqueiro do São Paulo.

Aquela seleção tinha um problema. A fragilidade da defesa. Leandro, lateral direito do Flamengo, chegou a Copa da Espanha em má forma física com tantos jogos que tinha disputado (o Campeonato Brasileiro de 1982, ganho pelo Flamengo, terminou na véspera dos jogadores se apresentarem a seleção brasileira para a Copa da Espanha). Júnior também não vivia boa fase pelo mesmo motivo. Os dois laterais eram muito bons no ataque, mas precisavam de uma boa cobertura para não deixarem espaços na defesa.

O lado esquerdo da defesa precisava de um cuidado maior. Júnior sempre foi um craque, mas não conseguia voltar com tanta velocidade e levamos gols por ali contra a Escócia e a Argentina. Pelo YouTube dá para ver Falcão tentando fazer a cobertura. Contra a Itália, o erro de passe de Toninho Cerezo no segundo gol da Itália e a indecisão de Luisinho e Falcão também foi por ali.

Hoje eu escalaria Edinho no lugar do Luisinho ( para ajudar na cobertura ao Júnior) e Paulo Isidoro no lugar de Serginho.


Italia campeã

A final Itália 3x1 Alemanha Ocidental foi o anticlimax do futebol arte. 

Não que fossem seleções ruins, tinham ótimos nomes, mas não se comparavam a Seleção Brasileira que encantou a todos naquela Copa da Espanha.

A conquista da Itália marcou, para muitos, o fim do futebol arte. Jogo vistoso, bonito e para a frente, como Tele Santana implantou naquela seleção que encantou o mundo, vimos pouco depois daquela Copa.



 


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